Patrimônio de Araxá, prédio da Fundação Cultural Calmon Barreto completa 100 anos em 2026

O prédio que abriga a Fundação Cultural Calmon Barreto (FCCB) completa 100 anos no dia 7 de novembro de 2026. Inaugurado como Estação Ferroviária Oeste de Minas, o edifício atravessou diferentes momentos da história de Araxá. Primeiro, foi a principal porta de entrada e saída da cidade. Décadas depois, passou a acolher manifestações artísticas, pesquisas históricas, eventos, ações de preservação do patrimônio e a se tornar referência para a cultura da cidade.

Tudo começou no início do século XX. A implantação da ferrovia estava ligada ao processo de modernização de Araxá e ao crescimento do turismo em torno das águas minerais do Barreiro. Naquele tempo, os visitantes chegavam de trem a municípios próximos, como Sacramento e Ibiá, e continuavam a viagem por outros meios. A construção do ramal Araxá-Ibiá começou em 1921. Já as obras da estação tiveram início em 1922 e foram concluídas quatro anos depois.

Um dos momentos que antecederam a inauguração ocorreu em 29 de julho de 1926, com a chegada de uma locomotiva que transportava o lastro, material composto por pedras e utilizado para sustentar e dar estabilidade aos trilhos. Enfeitada com bandeiras, a composição foi recebida por uma multidão, em meio a discursos e comemorações pela proximidade da conclusão da ferrovia.

Projetado por Virgílio José Monteiro Bastos, que também participou da execução das obras, o prédio foi inaugurado em 7 de novembro de 1926. Conforme registrado na ata da solenidade, a estação foi aberta ao tráfego de passageiros e ao despacho de bagagens, encomendas, mercadorias, animais e telegramas. A chegada da estrada de ferro foi recebida como um dos principais acontecimentos daquele período, por ampliar a comunicação de Araxá com outras regiões do Estado e do país.

Com 1.008 metros quadrados de área construída, o prédio apresenta elementos do estilo neoclássico. Entre as características que se destacam estão as colunas com detalhes toscanos, os três frontões, o brasão da Estrada de Ferro Oeste de Minas, as duas torres decorativas, o relógio, as escadas em espiral de ferro fundido, a entrada em mármore e a marquise trabalhada em vidro e ferro. Originalmente, o espaço possuía salas de espera, guichês, dependências para engenheiros e chefias, salas de bagagens e plataforma de embarque e desembarque.

Na época de sua inauguração, a estação ficava em uma área mais afastada, no ponto mais alto da cidade, tendo atrás dela um extenso campo. Com a circulação de passageiros, trabalhadores, mercadorias e informações, o local tornou-se uma referência para os moradores e contribuiu para a expansão urbana em seu entorno. Hotéis chegavam a anunciar como vantagem a proximidade com a estação, enquanto a praça à frente do edifício ficou conhecida pela população como Praça da Estação, apesar de ter recebido oficialmente o nome de Praça Arthur Bernardes.

O edifício simbolizou a chegada da ferrovia e o início de uma nova etapa para o município. A estação marcou o avanço e a modernização de Araxá, ao facilitar o transporte de pessoas e mercadorias. 

A partir das décadas de 1950 e 1960, a ampliação das rodovias e o crescimento do transporte por ônibus e automóveis provocaram a redução das viagens ferroviárias de passageiros. Ao mesmo tempo, os trilhos que atravessavam a área urbana tornaram-se um obstáculo para a expansão urbana. Em 16 de abril de 1982, o trem de passageiros circulou pela última vez pelo local, dando início à retirada dos trilhos do centro e à transferência das operações ferroviárias para outras áreas da cidade.

Fundação Cultural Calmon Barreto

Pouco tempo depois da retirada dos trilhos, o prédio iniciou uma nova fase. Araxá, até então, não possuía um espaço amplo que reunisse apresentações musicais, peças teatrais, exposições, cursos e outras manifestações artísticas. Para suprir essa lacuna, a Fundação Cultural Calmon Barreto foi criada em 27 de junho de 1984, por meio da Lei Municipal nº 1.905, com a finalidade de incentivar a cultura, formar talentos, construir e divulgar a memória local e atuar na preservação do patrimônio histórico e artístico.

Em 8 de fevereiro de 1985, foi assinado o Termo de Comodato que permitiu a instalação da Fundação na antiga estação. O acordo permaneceu vigente até 18 de março de 1988, quando, por meio de uma escritura pública de permuta, o imóvel tornou-se definitivamente propriedade do Município. Em 28 de dezembro de 1990, o prédio foi tombado pela Lei Municipal nº 2.411, garantindo sua proteção como patrimônio histórico e arquitetônico de Araxá.

Desde então, o local passou de referência do transporte ferroviário a referência da cultura. O pátio e as dependências da antiga estação passaram a receber eventos, exposições, apresentações artísticas, cursos, atividades de artesanato e ações voltadas à pesquisa e à preservação da história de Araxá.

Em 2023, o prédio foi revitalizado e entregue à comunidade após a maior intervenção já realizada no imóvel. As obras recuperaram a estrutura e preservaram os elementos arquitetônicos originais, mantendo as características que marcam a história da antiga estação. 

Visitação

A visitação ao prédio da Fundação Cultural Calmon Barreto é gratuita para araxaenses e turistas, de segunda a sexta-feira, das 12h às 18h. Durante o passeio, também é possível acompanhar a produção manual de peças no tear pelo Ateliê de Tecelagem Hermantina Drummond.

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