Rede Municipal de Saúde discute implantação do fluxo de atendimento a vítimas de violência em Araxá


Médicos, enfermeiros, agentes comunitários e outros profissionais da Rede Municipal de Saúde de Araxá participaram, nesta quinta-feira (24), de uma capacitação conduzida pela Superintendência Regional de Saúde de Uberaba. O encontro discutiu os encaminhamentos para vítimas de violência e abusos, desde o primeiro acolhimento até a continuidade do cuidado. O Conselho Tutelar também participou para esclarecer questões relacionadas ao atendimento de crianças e adolescentes.

A capacitação faz parte da construção de um fluxo para definir a atuação de cada serviço. Em Araxá, a Santa Casa de Misericórdia já é a porta de atendimento pactuada para vítimas de violência e funciona 24 horas, inclusive para municípios da microrregião. A discussão agora é como organizar o primeiro acolhimento e o encaminhamento ao hospital quando a situação é identificada, por exemplo, em uma unidade de saúde da família ou em outro serviço da rede de proteção.

A necessidade de organizar o fluxo de atendimento também foi discutida a partir dos dados de Araxá. De acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan Net), o município registrou 256 notificações de violência doméstica, sexual e/ou outras violências de janeiro a setembro de 2026. No mesmo período de 2025, foram 164, uma diferença de 92 registros e um aumento de 56,1%. O total de 2026 já supera as 233 notificações de todo o ano de 2025 em 23 registros.

A coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Araxá, Marcela Castro, explica que a construção do fluxo começou com a criação do núcleo de violência na Secretaria Municipal de Saúde e que esse processo envolve outros serviços. Por isso, os encaminhamentos estão sendo apresentados às equipes que participarão do atendimento.

“Esse direcionamento depende do tipo de violência e do tempo decorrido desde a ocorrência. Com a rede organizada, a vítima chega ao serviço adequado para ser acolhida, sem passar por atendimentos desnecessários que possam revitimizá-la”, explica Marcela.

A construção do fluxo já incluiu reuniões com a Santa Casa, gestores das unidades de saúde da família, o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), serviços da Rede de Atenção Psicossocial e o Instituto Médico Legal (IML). A referência técnica da Atenção Primária e Saúde Mental da Superintendência Regional de Saúde de Uberaba, Viviane Aparecida Pereira Izidoro, explica que o trabalho deve definir também como a vítima será acompanhada após o atendimento inicial.

“É importante que cada serviço entenda o seu papel para que não haja falhas. A rede precisa atuar de forma interligada, desde o acolhimento até o retorno da vítima à comunidade, com a definição de como será a continuidade do cuidado”, enfatiza Viviane.

Representantes da Superintendência Regional de Saúde retornarão a Araxá no próximo mês para um novo encontro. A etapa buscará a finalização da estrutura do fluxo de atendimento.

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