O Programa de Controle do Tabagismo, oferecido gratuitamente pela Prefeitura de Araxá, realiza acompanhamento especializado para pessoas que desejam abandonar o cigarro. A iniciativa ganha ainda mais destaque neste período em razão do Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, que em 2026 traz como tema “Desvendando o apelo: Combatendo o vício em tabaco e nicotina”, com foco no avanço do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes.
Para acesso o programa em Araxá, o primeiro passo é procurar a Estratégia de Saúde da Família (ESF) mais próxima e manifestar o desejo de parar de fumar. A partir disso, a equipe da unidade realiza o cadastro do paciente e faz o encaminhamento para o acolhimento especializado.
A avaliação é conduzida por uma profissional de referência, responsável por realizar uma escuta individualizada, aplicar testes para avaliar o grau de dependência e identificar o tipo de vínculo desenvolvido com o cigarro, seja físico, psicológico ou comportamental.
O tratamento inclui acompanhamento médico e psicológico, Práticas Integrativas e Complementares de Saúde - PICS (aromaterapia, auriculoterapia e reiki), além do fornecimento gratuito de medicamentos pela Farmácia Municipal, incluindo adesivos e gomas de nicotina. Os retornos são realizados mensalmente para avaliação da evolução e possíveis ajustes no tratamento. Atualmente, o programa acompanha 210 pacientes, sendo que 70 iniciaram o tratamento neste ano.
De acordo com a enfermeira e referência técnica do Programa de Controle do Tabagismo em Araxá, Lis Ribeiro de Oliveira, o tempo de resposta ao tratamento varia conforme o perfil de cada paciente. “Tem pessoas que conseguem parar de fumar em poucos dias após o início do acompanhamento, enquanto outras precisam de um período maior. Cada caso é avaliado individualmente, respeitando o grau de dependência e o vínculo que a pessoa desenvolveu com o cigarro”, explica.
Cigarros eletrônicos acendem alerta
O crescimento do uso de cigarros eletrônicos, conhecidos popularmente como "vapes", tem preocupado profissionais da saúde em todo o país, principalmente pelo aumento do consumo entre adolescentes e jovens. Segundo Lis Ribeiro, o município vem intensificando as ações de conscientização sobre os riscos desses dispositivos, especialmente em escolas e instituições voltadas a públicos vulneráveis. O Programa Antitabagismo também está aberto para realizar este tipo de atendimento.
“A indústria vem investindo em dispositivos com essências, formatos e sabores que acabam atraindo os adolescentes e mascarando a presença da nicotina. Isso favorece o aumento do consumo e da dependência química entre os jovens, além de estimular um contato cada vez mais precoce com esses produtos. Muitas vezes, quem usa, não tem a dimensão dos riscos e consequências para a saúde”, alerta Lis.
Os vapes funcionam por meio do aquecimento de uma resistência metálica que vaporiza o liquído presente. Dependendo do modelo e da potência utilizada, a temperatura pode ultrapassar 300°C, favorecendo a liberação de substâncias tóxicas inaladas pelos usuários e aumentando os riscos de doenças respiratórias, cardiovasculares e da dependência química.
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada em março deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes brasileiros apresentou crescimento significativo nos últimos anos. Entre estudantes de 13 a 17 anos, a experimentação desses dispositivos passou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024.
